quinta-feira, 14 de dezembro de 2006

Quero Ser Miriam Leitão. Por Sylvia Ruth.

O Superávit

Boa noite amigos. Perdoem-me o adiantado da hora, mas final de período, vocês sabem. E hoje, depois dos confetes da primeira semana, eu precisava “falar” alguma coisa com mais sustância.

Então, vasculhei infinitos sites – do governo principalmente – para descobrir às custas do quê o governo federal juntamente com os governos estaduais conseguiram um superávit primário tão incrivelmente expressivo em outubro. Mas, se eu tivesse descoberto, não estaria sendo tão prolixa em minha introdução. Como não encontrei, fui aconselhada pelo meu todo-poderoso editor-chefe a fazer muito melhor: sugerir as possibilidades de um superávit tão bacana.

Pois bem. Devidamente respaldada por Rafael Arcanjo – mesmo que o aval dele não seja tão importante, afinal, todos temos poderes iguais neste pagode e se eu quisesse, por conta própria, o faria sem remorso – vamos às “2 Causas Gritantes do Superávit do Primário”, por Sylvia Ruth.

  1. Aviação:

As últimas do Ministério da Defesa e de seu ministro Waldir Cheio de Fé Pires, provam que falta dinheiro há tempos para melhorar a vida dos controladores de vôo e conseqüentemente dos passageiros, das companhias aéreas e da economia do país.

2. Cultura X Esportes

Para a mídia, só faltava esportistas e atores se engalfinharem por patrocínio. Ia ser o auge. Já que o desconto de impostos para pessoas física ou jurídica que patrocinarem o esporte seria desleal demais para os pobres atores e atrizes brasileiros que participaram da “manifestação” pró-cultura. “Okey, cheguemos a um acordo”, disseram nosso conhecido de outros carnavais Gilberto Gil e Orlando Silva de Jesus Júnior: 6 ou 4%. Porque o Ministério da Fazenda vai se meter nessa briga de claquetes e uniformes esportivos?

***

O Máximo do Mínimo

Ontem a Comissão Mista de Orçamento (CMO) liberou o aumento do salário mínimo de R$ 350,00 para R$ 375,00, que passa a vigorar em abril do ano que vem. Este valor representa a derrota dos governistas ou a vitória da oposição – como melhor lhe convir.

O fato é que embora qualquer pessoa de boa fé neste país defenda um aumento digno no mínimo, não dá para provocar um rombo nas contas do governo e achar que vai dar pra remendar de qualquer jeito depois.

Se considerarmos que o PIB nominal* do país deve crescer três por cento neste ano, e o governo der um aumento de quatro por cento no salário mínimo (R$ 375), o crescimento dele será maior do que o do PIB nominal. Não há motivos para um governo que vai caminhando tão bem quando o assunto é controlar índices e que quer porque quer um aumento no PIB bem milagroso no ano que vem, botar em perigo as suas contas.

Para alguns, o déficit da Previdência deve chegar à R$ 42 bilhões de reais neste ano. Para outros, déficit da Previdência não passa de mito e/ou não devia ser usado para frear o aumento do mínimo. O problema é que boa parte dessas mesmas pessoas defendem um mínimo de R$ 1.613,08.

O Ministro da Fazendo Guido Mantega acredita que apertar as contas para aumentar um gasto corrente do governo não vale a pena. O dinheiro que a União vai gastar para aumentar o mínimo para 375 merengues** poderia ser usado para outros investimentos, que indiretamente beneficiariam tanto quanto ou até mais do que um aumento direto de quinze reais no salário do povo.


* PIB nominal é o resultado da soma de todas as riquezas de bens e produtos produzidos por um país, medido por valores correntes, sem considerar a influência de variações inflacionárias.

** "Merengues" é uma denominação pessoal – geralmente representando um valor baixo – para dinheiro.

4 comentários:

mau disse...

buáááááá....estou sem merengue nenhum!!!! e os deputados aumentaram em 90% os próprios merengues!!!!
que coisa!

Jorge disse...

Olá, Sylvia. Atentendo ao seu convite vim dar uma olhadinha no blog de vocês. Bacana sua homenagem a Miriam Leitão, sugiro que qualquer hora faça um tributo ao nosso velho amigo Joelmir Beting, seria interesante dado o estilo de crítica similar seu e dele!
Continue assim.

BruneLLa França disse...

Falow nossa colunista de economia! Qume precisa de Myriam Leitão quando temos Sylvia Ruth???

Simone Azevedo disse...

Poxa,estou indignada!Qeria mto ter alguns merengues...mas os nossos ilustres deputados já tem merengues suficientes por nós.Pra q precisamos disso mesmo?