sexta-feira, 29 de dezembro de 2006

Amarra Experimental por Natasha Siviero

Quando eu era pequena costumava ir com meu pai a Festa da Penha. Gostava de descer a ladeira junto à banda de congo e ficava vidrada no barulho dos tambores, apito, e casacas. Descia sempre perto da moça, na verdade senhora, que carregava o estandarte que trazia a imagem de São Benedito.
Queria mesmo ir, uma vez que fosse a festa de São Benedito. E todo dia 25 de dezembro pedia ao meu pai que me levasse. Fazia parte do meu imaginário infantil todas aquelas bandas tocando ao mesmo tempo, todas aquelas senhoras balançando os estandartes, e,ainda mais do que qualquer outra coisa, a rainha do congo.
Nunca tinha visto uma rainha do congo, mas não podia ser to diferente do que eu entendia como rainha. E como não ia a festa, imaginava - e era tão real - as pessoas entoando ladainhas bamborizadas,as saias rodadas,os chinelos de couro e nessa festa eu era a rainha do congo.
Como meu pai nunca me levou a festa de São Benedito, esse ano resolvi que veria tudo o que sempre imaginei, que finalmente conheceria uma rainha do congo de verdade.Por isso,no dia 27, fui a Estação Porto de Vitória para ver a coroação das rainhas do congo de Vitória pela banda Viramundo.
Cheguei ao Centro da cidade e não ouvi barulho de tambor. Liguei para um amigo que me confirmou o local. Olhei em volta e nem sinal de senhoras com saias rodadas e nenhum estandarte, nem casaca.
Fiquei parada ali alguns minutos e decidi não entrar. Esse ano eu seria mais uma vez a rainha do congo.

***

Foi aprovada uma lei municipal que prevê a retirada de propagandas publicitárias das ruas da cidade de São Paulo.
Desculpem-me, colegas publicitários, mas eu invejo a capital paulista.

2 comentários:

Spidey disse...

natasha, tá me surpreendendo. adoro ler sobre você e sobre sua cultura vila velhense.

beijão e continue me surpreendendo que assim vc vai longe.

Sylvia disse...

Pelo andar da carroagem, só quero ver as novidades vindas da nossa correspondente na Bahia.