domingo, 28 de janeiro de 2007

Dia do Leitor. Hoje por Penélope de Odisseu

Inocência perdida

Penélope de Odisseu


Tantos beijos ofereci, tantos poemas escrevi

Eu fiz tudo pra você me amar

Fui bandida, bruxa, santa, noviça

Rebeldia é não querer ser só um bem-querer

Libertina, você me fez sentir as entranhas arderem

Queimou a minha pele com o hálito frio do seu puro bem-querer gostar de amigo

Arranhando na garganta

Pula, salta, corre, sussurra, grita

O nó da inconsciência solta, burra, louca

Inquieta pela vontade insana

Medo, solidão, estagnação apática de uma despedida frígida

A tua boca sôfrega me come

Mas teu coração vazio me cospe

Enquanto meu peito arde, queima

Rubra, rosa, verde

Explode em cores mil

Teu semblante vil

Cafajeste, vigarista

Afoga o brilho do meu brio

Ladrãozinho indigno

Mente, rouba, destrói o calafrio ingênuo do meu estômago

É a insolente luxúria que invade e suga a fêmea floresta de desejo aprisionado

Alforria esta alma

Meu ventre é livre

A virgem dos lábios de mel deu pra alguém

Eu não dei

Só pra você

Feminista, modernista, anarquista

Você me vê como a vândala dos teus pesadelos

Suor, lágrimas, saliva

Tenho seios, útero, óvulos

Dignidade

Tenho orgasmos e não te espero para gemer mais alto

Alquimia, sou a feiticeira que tentou te embalar com a magia do amor

Mas toda noite me procura

Sou a prostituta do teu desejo ateu

Você estupra a santidade do desejo que antes do contato profano era o mais puro sentimento

Como um coro de anjos

De anjos a demônios

Deram-me a maçã proibida

Estou consciente

Tirei a venda que colocaste em meus olhos

Seus beijos ardentes fizeram-me fechá-los, gemendo...

E minhas pernas vadias te cercavam...

Hormônios irracionais

O teu instinto animal me consumia

Angustia negra é o que resta

Apenas o teu carinho eu quis

Enquanto me possuía

Desceu pelo ralo minha inocência perdida com o sangue do hímen que escorre pelas minhas pernas

Pague a conta desse motel imundo

Eu vou embora.

6 comentários:

Aline Dias disse...

Eu tinha mesmo que ser a primeira a comentar.
Esse texto dói.
E é lindo.

BruneLLa França disse...

É verdade mesmo ALine... esse texto dói... e é muito lindo...
Nossa! Dá pra sentir... intenso...uau!!!

*non tenho mtas palavras p comentar uma poesia... poesia s sente, não s explica!

Sylvia disse...

Esse poema é violento. Não que seja ruim, apenas é violento.

Vou aproveitar o comentário pra dizer aos interessados que estendi o assunto do FTGS pra nossa comunidade no orkut. Pronto, aproveitei.

BruneLLa França disse...

Espero encontrar mais dias dos leitores assim...

Gaby disse...

nem o q comentar.
adorei o texto...e concordo q dói.
Lindo.

Simone Azevedo disse...

sim esse texto dói, e é dor.