segunda-feira, 22 de janeiro de 2007

Ave Franklin! Por BruneLLa França

Um olhar sobre o mundo islâmico contemporâneo.

O Islã é a religião predominante nos países sarracenos e a cultura muçulmana é o fundamento histórico das sociedades arábicas. O mundo árabe, porém, se define pela língua, não pela religião. Afinal, o número de islâmicos não árabes é bastante considerável.

Assim sendo, o Corão/Alcorão, livro sagrado dos muçulmanos, constituiu o alicerce da unidade cultural dos árabes, pois promoveu a difusão de uma língua comum. No Oriente Médio e a na África do Norte, o árabe corânico proporcionou a fusão étnica de centenas de clãs e tribos antes separadas por dialetos e costumes diversos. A influência da língua se estende por todo o mundo islâmico, visto que as principais orações islamitas devem ser pronunciadas em árabe.

Os números são impressionantes: a religião islâmica abarca mais de um bilhão de fiéis no planeta. Atualmente, é a religião que mais se difunde no globo. Esse grande crescimento é devido às elevadas taxas de natalidade nas regiões médio-oriental e setentrional africana. O mundo muçulmano abrange territórios, de leste a oeste, desde o Senegal, na África ocidental, até as Filipinas, nos limites do Oceano Pacífico. E, de norte a sul, desde o Cazaquistão, na Ásia Central, até a Tanzânia e a Indonésia, nos dois lados do Oceano Índico. Fora dos limites do mundo maometano, há significativas minorias islâmicas na Índia e na Europa.

Para compreender o Islã, é preciso saber diferenciar o mundo muçulmano do mundo árabe. Essas expressões têm sido utilizadas como sinônimas, com certa freqüência, nos meios de comunicação. Estão longe, entretanto, de constituírem exatamente a mesma coisa. Esses dois mundos configuram conjuntos geopolíticos e culturais parcialmente superpostos, porém, distintos. O mundo muçulmano é muito mais vasto que o árabe. É interessante ressaltar ainda que os países com maior população islâmica não são árabes: Indonésia, Paquistão, Índia e Bangladesh.

Além disso, deve-se ponderar também que apesar de profunda unidade básica, a religião se divide em várias seitas. As mais importantes, tanto do ponto de vista demográfico quanto do político, são a Sunita e a Xiita. Os sunitas constituem a imensa maioria do islamismo. Eles consideram que a fonte essencial para a lei islâmica é a Suna, a compilação da vida e do comportamento do profeta Maomé. A minoria xiita, por sua vez, acredita que só os membros do clã do profeta poderiam liderar os muçulmanos. Ao contrário dos sunitas, que não atribuem qualidades divinas ao líder religioso, os xiitas atribuem ao imã uma proteção sobrenatural contra o erro e o pecado.

É fundamental observar ainda que os preceitos do maometismo não prevêem a separação entre religião e política. Logo, todos os muçulmanos constituem uma só nação: a comunidade dos fiéis, em árabe, umma. A unidade entre as esferas política e religiosa manifesta-se no plano jurídico. Segundo a tradição, o corpo de leis das sociedades muçulmanas deve se assentar na Sharia, que condensa os princípios religiosos sob a forma de legislação civil.

Outro tópico que merece análise dentro do mundo do Islã é o fundamentalismo religioso, que emergiu do vácuo criado pelo insucesso do pan-arabismo. O esgotamento desse projeto de unificação do mundo árabe deveu-se, em grande parte, ao fracasso da modernização econômica, que não foi capaz de amenizar as profundas desigualdades sociais e s pobreza nas sociedades árabes. Mas, sobretudo, revelou que o mito da nação árabe não tinha força suficiente para sobrepujar os interesses geopolíticos divergentes dos Estados árabes.

O objetivo dos fundamentalistas é a restauração da umma, ou seja, recuperação das glórias de um passado mítico. Nesse contexto, a humilhação política, gerada pelas derrotas árabes frente a Israel, e a pobreza econômica funcionam como seus motores. O Ocidente é o inimigo, representado pelos Estados Unidos e, regionalmente, por Israel.

O islamismo político contemporâneo disseminou-se no Oriente Médio e na África do Norte sob a forma de partidos e grupos oposicionistas, associados a redes de caridade religiosa. Desse modo, o renascimento fundamentalista não é um fenômeno inerente à religião islâmica ou à cultura muçulmana. Sua dinâmica está conectada ao fracasso do pan-arabismo, aos ressentimentos criados pela política internacional da Casa Branca e ao conflito nacional entre israelenses e palestinos.

Por conseguinte, a hegemonia militar dos estadunidenses na região médio-oriental, reforçada e atualizada pela invasão no Iraque, em 2003, não pode suprimir o fundamentalismo religioso. Ao contrário: tende a conferir audiência ainda maior, nas sociedades árabes e muçulmanas, aos novos “guerreiros da fé”.

Constata-se, portanto, que o Islã tem sido utilizado como uma resposta às políticas imperialistas internacionais no Oriente Médio. Já o fundamentalismo islâmico, por sua vez, surge como uma resposta à ausência de possibilidades de negociação para as questões políticas e sociais regionais. Relacionando-se, ainda, à leitura literal do Corão/Alcorão, e aplicando-a, inclusive, às questões políticas.

3 comentários:

mau disse...

Ave Brunella!

Simone Azevedo disse...

E eu que pensava saber alguma coisa sobre o mundo islâmico...
acabei de descobrir que nada sei, ou melhor, sabia até ler este texto.
O TEXTO! Diga-se de passagem.
Mas ainda assim, expondo meus parcos conhecimentos sobre o assunto, penso que no Oriente islâmico, onde cultura e religião se confundem, o Ocidente é visto como uma sociedade do espetáculo ou cultura do entretenimento que acaba se configurando numa religião -ou, pelo menos, numa pseudo-religião pagã.
Osama Bin Laden, certa vez, declarou guerra ao “símbolo mundial moderno do paganismo, a América”, e disse ainda que “a missão dos meios de comunicação é a de santificar a figura dos líderes, anestesiar a comunidade e realizar os planos do inimigo, mantendo as pessoas ocupadas com assuntos menores, gerando emoções e desejos, até que a corrupção se dissemine entre os fiéis”.
Os fundamentalistas pensam que a raiz de todos os males é um neopaganismo difundido pela extensa e poderosa rede de comunicações do Ocidente. O que conhecemos aqui como cultura do entretenimento, é para eles uma idolatria. E é contra ela, e não contra a tradição judaico-cristã, que se insurgem.Uma vez que, não é só o fundamentalismo islãmico que pensa desse jeito, pois as outras tradições monoteístas que conhecemos: judaica e cristã possuem fundamentalistas de igual ou superior "periculisidade", se assim podemso dizer.E todas elas são contra a idolatria às imagens das coisas mundanas.
A mídia é a responsável não só por transmitir aos fundamentalistas essa ideia de idolatria que a sociedade Ocidental passa, como também pelo absurdo de associar a ideia de fundamentalismo ao mundo islâmico apenas.
E o mais engraçado é que os fundamentalistas IsLãmicos que criticam fervorosamente a tecnologia ocidental a usou contra a sociedade que a criou quando no 11 de setembro ao prommover um desatre com aquelas proporções, promoveu tambem a transmissão desse desatre para o mundo inteiro atravez da tecnologia que tanto critica. Eles não queriam apenas destruição. Queriam também promover um esptáculo de horrores.É como se eles usasem a nossa arma contra nós e a seu favor.

Simone Azevedo disse...

Ah, esquecei de dizer

Ave Bru!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!