sexta-feira, 5 de janeiro de 2007

Amarra experimental por Marcela Rangel.

As férias nos proporcionam uma inutilidade maravilhosa. Nessas quase três semanas de pernas para o ar, água e sombra fresca, comecei a realmente compreender o significado de "ócio criativo".
Mas, por que será que fazer absolutamente nada nos incomoda tanto? No minuto em que chegamos em casa temos a necessidade de ligar a TV, o rádio, o computador. A quietude nos apavora. Uma pequena fresta de silêncio remove nossa camada de superficialidade e nos faz cavar fundo quem somos.
Estava outro dia bisbilhotando o orkut alheio (mais uma invenção da vida moderna que me faz indagar até que ponto essa tecnologia é facilitadora) e notei como as pessoas se embaraçam no quesito "about me". E quando digo "pessoas" me incluo na lista. Será que não sabemos ou não queremos saber quem somos? Nas palavras de Clarice Lispector: "É que 'quem sou eu' provoca necessidade. E como satisfazer a necessidade? Quem se indaga é incompleto". Mas quem não é?
De repente, não mais que de repente, pensamentos aleatórios surgem. Tentamos apagá-los. Corremos para escondê-los. Mas, a escrita (esse vulcão que não deixa nada escapar da folha em branco) continua a puxar pelos cabelos quem, por não saber, continua a indagar e por não se compreender continua a dissecar o que vê no outro.
Não é fácil. Nunca é. Se render ao vazio do nada e parar, respirar, refletir, pode parecer tristeza ou falta do que fazer.
E eu, por ser uma admiradora da vida e do ser humano (esta estranha criatura) e tentar compreender ambos, deixo meus amontoados de sentimentos e pensamentos me levarem, tomarem conta de mim.
Eis que aparecem algumas conclusões. Algumas equivocadas. Outras das quais me arrependerei mais tarde. Mas, correndo o risco de parecer tola , deixo com vocês algumas das minhas divagações dessas três semanas.
(Não se assustem, pois são pensamentos realmente aleatórios e sem explicação aparente).
  • A verdade é que eu espero desde que nasci por um amor que pareça com um filme.
  • Você já esticou seus braços e girou girou girou? Bom, é assim que é o amor.
  • E por não gostar do tédio que era ser feliz, simplesmente feliz, ela inventava alguma dor que desatinasse a doer, assim, sem explicação ou consentimento.
  • Enquanto você procura os grandes enredos, eu busco as pequenas e significativas palavras.
  • Um beijo deseperado. Desesperadoramente desesperado. Fungado, lambido, rasgado, fundido e amado.
  • Uma mulher sempre pressente o fim.
  • Ser sempre a parte corajosa. Aquela que, por saber que não há mais solução, digita as palavras "the end". O nosso filme tinha que terminar em algum momento mesmo.
  • Trilha sonora do dia: Concerto para piano número 5 de Beethoven, "O imperador". E penso: "É assim que o amor deveria ser."
  • Quanto mais analiso, mais percebo como as mulheres são seres extremamente neuróticos, passionais e obcecados.
  • Que seja infantil o amor. Extremamente infantil. Como quando gostávamos do coleguinha que sentava do nosso lado, sem motivo ou explicação.
  • O verdadeiro amor está nos olhos naqueles que se despedem nos aeroportos.
  • Drama! Nós todas queremos drama. Um dramalhão que doa, despedace e dilacere.
  • Não acredita-se em felicidade eterna, profunda ou verdadeira. Necessitamos daquela inquietude que faz tudo parecer tão efêmero e tolo.

Sem mais bla bla bla, bom começo de ano para todos.

Nota final: Gostaria de agradecer à dona do Amarra, nossa querida amiga Natasha, por me conceder a honra de escrever ao lado de pessoas tão talentosas.

4 comentários:

Simone Azevedo disse...

Marcela,suas divagações exprimem realmente os anceios de nós(criaturas inconpreendidas)mulheres.
Sua partipação foi ótima.Adorei e espero que vc continue escrevendo pro Jornalismo Incopetente.

mau disse...

MARCELÃÃÃOOOO aeeee...
mais um talento sendo lapidado pelo j-incompetente.

Aline Dias disse...

Doce doce doce

Tinha que ser a Marcela!


E eu sei que vc viu da magia à seduçã-ao!!!!!


ahahaha

Simone Azevedo disse...

Tbm vi.esse filme é uma delícia!