domingo, 18 de março de 2007

Ave Franklin! Por BruneLLa França

O texto desta semana se propõe a uma reflexão sobre o modus vivendi dessa sociedade dita globalizada, neste início de século XXI.


O sentido da vida é aumentar o padrão de consumo

Shopping centers, objetos de marca, satisfação pessoal. O hiperconsumismo é a característica marcante do século XXI. Visto que em nossa sociedade a forma predominante de poder é o capitalismo, independente da classe social, sente-se necessidade de consumir como forma de afirmação social e garantia de auto-estima. Os países são vistos apenas como mercados consumidores e o nosso poder de compra garante a posição que ocupamos em sociedade.

Devemos analisar, portanto, que, desde o fim da bipolaridade global, vivemos a mais recente fase do processo de globalização. E, assim, assistimos a um processo de integração econômica sob a égide do neoliberalismo no qual predominam os interesses financeiros, os interesses dos agentes financeiros, a desregulamentação dos mercados, a privatização de empresas estatais e, infelizmente, o descaso ao bem-estar social. Nesse panorama, podemos afirmar que o Mercado está acima da autonomia dos países, haja vista o mesmo influenciar na governabilidade de muitas nações, exercendo também uma dominação cultural e de informações.

Além disso, o neoimperialismo vigente impulsiona a busca voraz por novos mercados consumidores. Dessa forma, para atender às exigências do deus Mercado, empresas se vêem obrigadas a cortar custos, objetivando obter preços menores, maior qualidade e produção. Isso pressupõe investimento em tecnologia e profissionais altamente capacitados. Num país como o Brasil, assolado de problemas estruturais em saúde, educação e pesquisa, parece utopia falar nesse profissional do milênio.

Essa situação contribui para o aumento da violência. Como o desempregado perde seu poder de compra ou passa a ser um consumidor indesejado, pode tornar-se capaz de fazer tudo para conseguir os bens materiais desejados. Mata-se por um tênis de marca. A vida pouco vale.

Ademais, é importante destacar ainda que numa sociedade na qual se consome por desejo, não por necessidade, existe uma crise de valores humanos muito séria. Afinal, o consumismo transfere a satisfação pessoal para os objetos, desviando-a das pessoas. Desse modo, corremos o risco de reificar a grandeza humana e assistir à transformação de seres humanos em “peças” obsoletas no mundo dito globalizado.

6 comentários:

Sylvia disse...

É só lembrar que o capitalismo é um sistema econômico, e não social (se é que posso dizer assim), e as pessoas ficam tentando botar as leis capitalistas em prática nas suas relações com as outras, como se amizade, casamento, ou valores humanos, pudessem ser pautados por regras econômicas.

Por isso que eu quero mesmo é que o capitalismo se exploda.

BruneLLa França disse...

O sistema capitalista é o responsável pela configuração das forças de produção, que tem relação direta com a constituição da sociedade.
Vivemos na sociedade do TER, sim.
E a esfera econômica produz efeitos na esfera social sim! Todas as formas de relações humanas são interligadas de alguma forma.
A transformação dessa forma dominante de poder só virá quando todos entenderem que a chave não é uma revolução apenas no sistema de produção capitalista.
TUDO SE COMUNICA!
A verdadeira reconstrução deve ter bases comunicativas com todas as esferas a serem transformadas. A idéia do todo, portanto, é fundamental!

cil casati disse...

Acho que um dia vamos conseguir que, todas as pessoas tenham um padrão de vida no minimo satisfatório no mundo capitalista!!!

=)

(falando a menina que ainda acredita em príncipe encantado...hehe)

cil casati disse...

PS: Como (bem)diz Brunella... Tudo se COMUNICA!

Simone Azevedo disse...

Brunella, meu comentário para a sua coluna é o texto "Moda: servidão do inútil, adoração ao descartável" da minha coluna dessa semana.

BruneLLa França disse...

um dia, eu também tive essa esperança, cil...

mas com um mínimo de olhar crítico, percebi que não seria bem assim...

=/