quinta-feira, 1 de março de 2007

Quero Ser Miriam Leitão, por Sylvia Ruth

Saudações, amigos

Depois de duas semanas desaparecida, cá estou eu novamente, e pra piorar, postando a noite. E logo num momento tão, digamos, interessante. Foi só a China espirrar para todo mundo tremer na base.

O negócio é que se diz que China e Estados Unidos mantém uma relação simbiótica, então, se a terra de Mao Tsé-tung tem qualquer problema, a terra do Tio Sam sofrerá influências imediatas, e como todo os outros países estão inevitavelmente ligados aos EUA, despenca a bolsa de tudo quanto é país.

E por que isso acontece? Primeiro porque o superávit Chinês, assim como o Brasileiro, é investido em títulos do tesouro norte-americano, que tem juros de mais de 5% ao ano, investimento esse considerado o mais seguro e lucrativo do planeta.

Segundo porque a China tem um peso importantíssimo na balança comercial por lá. Em 2006 os EUA exportaram 55 bilhões de dólares e importaram US$ 290 para a China.

Mas os resultados das bolsas hoje, provam que as coisas parecem não ter passado de um alarme falso. Mas é claro, depois da azia que deu a idéia de taxar em 20% as entradas estrangeiras na China, o Ministério das Finanças por lá tinha que dar um jeito de acalmar os ânimos da galera, afinal, a terra das próximas Olimpíadas é peça chave nesta pirâmide de cartas que é a economia mundial, e ela é que não quereria ser a primeira a cair.


Bons números

2,9%, foi bom pra você? Enfim, os números oficiais do governo para o PIB 2006. O resultado esteve além das previsões, mas dois pontos percentuais acima também não são para se comemorar, e Lula também acha.

Para alguns faltou investimento, não só com a injeção direta de dinheiro público, mas também no incentivo ao investimento privado, com uma diminuição da tributação e da burocracia e tal.

Para o Ministro da Fazenda, Guido Mantega, os números são sinceros, e indicam crescimento consistente, aumento da capacidade produtiva, da demanda e do consumo popular, mas para ele, o melhor é que no último trimestre do ano que passou, o país cresceu 1,1%, o que, em quatro trimestres (um ano), representa um crescimento de 4,4%, acima do prometido pelo governo para 2007, de 3,5%. [Tô com preguiça de conferir, mas acho que é 3,5%, ou algo parecido].

E a coisa deve ser por aí mesmo. Se o governo conseguir estruturar o crescimento, sem picos instáveis, a terra do carnaval e do futebol deve voltar a crescer na média mundial, que foi de 5,1% no ano passado, daqui há [respira fundo] cinco – angustiantes – anos. Isso se o pai-de-todas-as-respostas PAC for realmente colocado em prática e se realmente funcionar.


Dólares pra que te quero

Neste mês o governo federal chegou aos invejáveis 100 bilhões de dólares de reserva. Uau! Mas pra quê tanto dinheiro? O Ministro Guido Mantega chama isso de “vacina contra turbulências”, eu chamo de muito dinheiro e pronto. Okey, essa foi péssima.

Acontece assim: o nosso Banco Central compra dólares, porque dólar é que é Dinheiro Bom, e aplica nos "treasuries" (títulos do tesouro norte-americanos, já citados hoje). Aí, ele fica credor em dólares, enquanto aqui fica devedor em reais, já que para comprar dólares, o BC precisa emitir títulos da dívida interna. Enquanto os juros do tesouro estadunidense é de 5%, os juros da dívida interna são de 13%. Vale a pena? Pior que sim. Já que, como eu já disse hoje: aplicar em "treasuries" é a forma mais segura do planeta.

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