sábado, 10 de fevereiro de 2007

A Venenosa. Por BruneLLa França.

Os novos papéis de homens e mulheres: avanços e tropeços

O modelo de masculinidade está em crise. A ele estão sendo incorporados outros valores, como a beleza. Isso não significa que status e dinheiro perderam sua importância, só deixaram de ser os únicos pilares da masculinidade.

Afinal, a emancipação feminina trouxe algumas mudanças para os homens. Elas também querem parceiros inteligentes, bem-humorados, que participem da educação dos filhos e tenham, evidentemente, boa aparência. Valores que antes eram exigidos apenas delas.

Desse modo, o cuidado com o corpo associado a melhor qualidade de vida é um aspecto positivo. O problema são os exageros. O culto a própria imagem e a exacerbação do egocentrismo levam ao hiperconsumismo. Consome-se por desejo, não por necessidade. Quase tudo é efêmero, descartável.

As facilidades que o mundo moderno oferece são muitas: medicina estética, academias com equipamentos ultra modernos, spas e muitas outras mais. E elas favorecem a esse narcisismo crescente na sociedade. Há, entretanto, problemas psicológicos e de saúde, como: depressão bulimia e anorexia, que são característicos do século XXI e surgiram ou se acentuaram dessa vaidade exagerada tanto de mulheres quanto de homens.

Assim sendo, constata-se que existe uma padronização de beleza que, geralmente, é virtual e muito difundida pela mídia. A indústria da beleza cresce assustadoramente. Isso estimula o imaginário das pessoas, interferindo drasticamente nas relações humanas. E, nesse contexto, o ser humano, infelizmente, está sendo tão descartável quanto os produtos da moda.


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O mundo de Sophia

Não fosse por algumas diferenças básicas, ela bem que poderia ser a personagem principal daquele livro com seu nome na capa. Sofia era norueguesa – mesmo que tivesse os cabelos pretos. Sophia era brasileira – nenhum mesmo que se pode dizer sobre ela, afinal, nascera no caldeirão de misturas étnicas do Brasil.

Sofia foi descobrindo a filosofia por um convite diferente e um professor disposto a ensinar somente a ela. Apaixonou-se. Sophia foi descobrindo, por si só, a literatura desde que teve nas mãos o primeiro livro, ao aprender a ler. A menina e o pássaro encantado. Apaixonou-se.

A Sofia completou seus quinze anos e os anos não mais se passaram para ela. A Sophia fez 15, 16, 17, 18, 19 e daqui a poucos dias vai chegar aos 20. A menina do livro encontrou-se no mundo dos personagens de histórias. E por lá vive feliz com seu querido professor. A menina brasileira faz Letras na universidade. E vive esbarrando nas personagens com quem a norueguesa mora.

Sophia se encanta com os versos ácidos de Augusto dos Anjos. Versos Íntimos ela sabe de cor. Foi o primeiro postado em seu blog. A escola do Romantismo é sua paixão. Trouxe até ela Álvares de Azevedo, um dos poetas preferidos de seus versos.

Machado de Assis a cativou com Capitu, Helena, Brás Cubas e tantos outros nascidos de sua pena magistral. Foi na adolescência que se apaixonou por Vinícius de Morais, o poetinha. Sua paixão por ele era tanta – muito além do Soneto de Fidelidade escrito na agenda – que ela tinha a certeza: se tivesse vivido no mesmo tempo que ele, seria sua décima esposa!

Não abriria mão, porém, de ter por amante o chileno Pablo Neruda. Insistentemente, ele a convidava a deixar o vento correr, coroado de espuma, chamando-os e buscando-os, galopando na sombra, enquanto ele, mergulhado nos imensos olhos castanhos dela, numa manhã imensa, descansaria, chamando-a de amor.

Mas a verdadeira paixão de Sophia eram mesmo os livros. Quantos ela já havia lido? Para quantos países viajara? Por quantos personagens havia se apaixonado? Quantas vezes havia chorado lendo suas histórias? Ela não sabia responder.

Sabia apenas não ser capaz de fechar um livro depois de abrir-lhe a capa e ler dele a primeira página. Fechava-o apenas quando chegava ao fim, na contracapa. O que, para ela, nem sempre era o fim. Sophia tinha mania de conviver algum tempo ainda com as personagens. Conversava com elas em seu inconsciente, construía novos enredos, modificava seus destinos. E o fazia com um sorriso incógnito de primeira felicidade, não entendido por todos.

Assim foi até que um dia, os ponteiros do tempo se desentenderam, a tarde correu para trás do morro e a noite já gritava estrelas esparsas. No fundo da rua, da casa-gênese da fumaça de chaminé, ela se encontrou como se ali sempre houvesse morado. Ao contemplar o caos do dia sem tempo, sorriu. Um sorriso inócuo tangenciando avenidas sem rumo, buscando um amanhecer resplandecente. Foi mais de felicidade que de outro entendimento sua ida à janela. Sophia metamorfoseou-se em personagem de si mesma e mudou-se para protagonizar, enfim, o enredo de sua existência.

7 comentários:

Simone Azevedo disse...

A Venenosa dessa semana está simplesmente fantástica!!!!!!!!!!
Brunella França não é só política, é poesia, é literatura, é arte e é cultura.
Brunella Frnaça é doce e forte, viaja com os pés fincados no chão.
Transmite em seus textos um sabor adocicado, leve e suave.
Quando eu os leio me sinto com uma paz imensa.
Eu sinto os textos da Brunella.
Eu sinto Sofia, eu me sinto Sofia.

BruneLLa França disse...

Simone, s vc diz...
Nem a BruneLLa França sabe como ela é!!!
O.o

AK Lerbach disse...

Gostei dos textos, são simples, sabe, enxutos e, mesmo assim, cheios de significado.
=P
e nem vem Simone, eu sou Sofia!
rss...
*fight*

Simone Azevedo disse...

ouououou será que ninguem vai perceber o deslocamento da Brunella França dentro do blog?
Alôôu!!!!!!Essa coluna não é a dela.
Alôôuu galera!!!!

BruneLLa França disse...

Alôooooooooooooooooooooooowwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwww!!!
impossível q não vão perceber!!!

Tasha! disse...

Ei pera aí!
E a Simone vai escrever política?
Ou foi um golpe publicitário das jornalistas?

BruneLLa França disse...

Aguarde até a próxima segunda feira, Tasha!
hehehehehehhehe