quarta-feira, 28 de março de 2007

Ave Franklin! Por BruneLLa França.

Eu poderia ter postado em alguma outra coluna, mas não resisti!

AGORA É OFICIAL!!!

27.03.2007


Nos últimos oito meses, cinco vezes por semana, dividi com os leitores do IG minhas análises e avaliações sobre a situação política brasileira. Deles recebi centenas de mensagens com críticas, opiniões e estímulos. Foi uma convivência intensa e prazerosa que, infelizmente, estou sendo obrigado a interromper, para assumir o Ministério da Comunicação Social...

Muitos leitores, já dando por descontada essa interrupção, enviaram-me nos últimos dias mensagens dizendo que gostariam de continuar tendo acesso a meu site “Conexão política”, também hospedado no iG. São internautas que se acostumaram a ouvir as centenas de músicas sobre política reunidas na seção “Som na Caixa”, professores ou estudantes que, volta e meia, pescam textos importantes da vida brasileira na “Estação História” ou simplesmente leitores que, de vez em quando, gostam de navegar no site. Por outro lado, eu também não gostaria de fechar um espaço onde acumulei tanto trabalho e reuni tanto material interessante ao longo dos últimos seis anos – primeiro no portal da TV Globo, mais tarde no iG.

Tudo somado, decidimos, o iG e eu, manter o site à disposição dos internautas, sem que eu receba qualquer remuneração por isso e sem que o portal faça utilização comercial deste espaço.

Assim, nos próximos dias, “Conexão política” passará por pequenas mudanças gráficas, que o adaptarão a seu novo formato.

Um abraço,

Franklin Martins

Quero ser Miriam Leitão, por Sylvia Ruth


Ó nóis aqui

Beleza? Bom dia amigos. Eu disse que ia dar um jeito na minha vida para poder postar mais cedo aqui, e pois é, consegui. Então vamos lá.

Sobre a foto: Stálin tá mó style, né?

Mao Tsé-tung e Hitler também estão ótimos.


Quase Abafando

A economia brasileira vai bem, obrigada. E como isso soa bem nos meus ouvidos! Ontem, mesmo com a queda na Bovespa, analistas de mercado garantem que cada vez mais a economia tupiniquim tem se desprendido das incertezas de outros países, como no caso dos Estados Unidos, por exemplo, que pouco anda influenciando por aqui. Quando índices ianques não vão bem, índices daqui não vão tão mal como os de lá, diferentemente do que acontecia há anos atrás.

Uma prova é o marco histórico do Risco Brasil, que quanto menor, melhor, já que representa o nível de desconfiança de investidores estrangeiros. Ele caiu de 174 para 172 pontos, nesta semana indigesta para os americanos do hemisfério norte.

Os dados econômicos estadunidenses não estão mais convencendo ninguém. Esse “é, pode ser, mas também pode ser que não seja”, do banco central norte-americano, encabeçado por um tal Ben Bernanke, que se pronuncia hoje no Congresso de lá, anda enchendo a paciência de quem depende do que eles dizem para trabalhar.

Claro que é preciso sim ficar de olho em sinais de alerta no além-mar. Não estamos imunes às agitações como as da Bolsa de Xangai, ninguém está, mas levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima bem rápido, como o Brasil está mostrando fazer, é ótimo.

terça-feira, 27 de março de 2007

Ave Franklin! Por BruneLLa França.

Crise existencial superada! O pc voltou a falar comigo! Como prometido, eis o texto da semana!

Um reino encantado no Planalto Central

Ministros heróis... Super parlamentares... Brasília é uma ilusão!

A novela das eleições para as presidências da Câmara e do Senado pautou o início das atividades políticas este ano. E foi só! O carnaval passou. As fantasias já perderam as penas. Mas os nossos representantes em Brasília parecem não ter entrado “no ritmo”.

A reforma ministerial acontece a passos de tartaruga. Mesmo porque, não é fácil atender a todos os aliados e aos petistas ávidos por poder. E, pelo cenário traçado até o momento, o presidente Lula parece não querer tantos petistas atuando na Esplanada dos Ministérios. A surpresa dessa reforma fica por conta do caráter mais técnico dos que estão sendo nomeados ministros. Aliás, os donos das pastas foram aclamados pelo presidente como heróis nacionais por receberem u salário de apenas R$ 8 mil para trabalhar. Não é de surpreender que a primeira medida da Comissão de Finanças da Câmara foi aprovar o reajuste de 26,49% para deputados federais, senadores, presidente, vice e ministros. Isso sem contar as verbas indenizatórias e as regalias de nossos ilustres políticos.

O impacto provocado nos cofres públicos – dinheiro nosso! – está calcula em aproximadamente R$ 566 milhões anuais. Afinal, reajuste em Brasília significa também reajustes nos contracheques dos deputados das 27 Assembléias Legislativas e dos vereadores das mais de 5 mil Câmaras Municipais. É o famoso efeito cascata!

Realmente, é árduo o trabalho de nossos ilustres ministros e parlamentares. De janeiro até agora, tudo o que a Câmara fez foi vetar a CPI do Apagão Aéreo.

A Reforma Política virou tabu! Ninguém mais toca no assunto! A discussão sobre a maioridade penal pode ficar na gaveta por mais alguns anos. A segurança pública vai às mil maravilhas! O desemprego é coisa do passado!

Nosso sistema público de saúde beira a perfeição. A educação está perto da excelência. As universidades federais nunca dispuseram de tantos recursos! O déficit da previdência não existe, é uma mentira! Nossa economia vai de vento em popa, com crescimento supra-satisfatório! A reforma agrária é um fato. Os vícios arraigados dos podres poderes de nosso sistema político foram todos superados!

Os parlamentares se esquecem que vivem em Brasília. Lula se esquece! Na capital federal, os carros passam sempre rápido – pistas largas – e sempre sem buzinar – não se buzina em Brasília. As pessoas abanam a mão na faixa de pedestres e os motoristas param. O asfalto é inteiro e contínuo. Os canteiros sempre bem aparados. É agradável caminhar por Brasília. O Plano Piloto faz pensar que o Brasil é mesmo um país rico, com justa distribuição de renda, salário digno para todos, sistemas de saúde e educação com excelência de funcionamento, segurança pública impecável... Eles vivem numa bolha! Brasília é uma ilusão, um país das maravilhas! A realidade de, pelo menos, 50 milhões de brasileiros é bastante diferente.

Excelentíssimo presidente, acho que os heróis do país estão longe de serem os seus ministros e mais longe ainda do salário de R$ 8 mil. Heróis são as brasileiras e os brasileiros que catam nos lixões o almoço do dia-a-dia. Heróis são aquelas e aqueles que tiram o sustento de suas famílias de um subemprego na maioria das vezes subumano. Heróis são os que vivem com um salário mínimo de R$ 350 mensais.

No dia em que nossos ilustres políticos conseguirem dar a cada cidadã e cidadão um salário mínimo digno e um sistema político do qual nos orgulhemos, talvez, possamos pensar em chamá-los de heróis. Mas é preciso que fique bem claro que eles estarão apenas cumprindo a Constituição Federal.

Nesse panorama, infelizmente, parece que nossa situação política vai continuar a mesma. Até a próxima crise deixar claro que a situação atual é absolutamente insustentável!

domingo, 25 de março de 2007

Ave Franklin! Pro BruneLLa França.

Aviso aos queridos leitores: a coluna dessa semana vai ser postada assim que meu computador colaborar comigo!

O texto está do jeito que eu queria que ele fosse! Redondinho para vocês... mas, meu pc tem vontade própria e se recusa a falar comigo...

Fico então com a pequena grande nota que eu ia anunciar junto com o texto.

Franklin Martins - ave! ave! ave! - é praticamente certo como novo Ministro das Comunicações!!!

Enfim, comemoremos todos, Hélio Costa vai deixar o cargo que nunca deveria ter ocupado!!! E espero, sinceramente, que um profissional da área - competentíssimo por sinal - possa promover as necessárias discussões que envolvem a Comunicação no país.

Como fã de Franklin Martins - *reverência* - espero que não deixe de postar regularmente em sua página na internet e não abondone o olhar crítico e visionário que fizeram esta humilde colunista desenvolver o gosto pelo jornalismo crítico em relação a política, muito antes dela sonhar em fazer jornalismo.

Espero, em breve, poder postar o texto da semana aqui!

E, AVE FRANKLIN!!!

Dia do Leitor. Hoje especial: calouros respondem o que é arte

Jorge Coli não respondeu, nossos calouros sim


É, amigos, coube a mim o Voto de Minerva para o “The Best Of O Que É Arte”. Mas como o churrasco estará rolando solto e deixando solta a cabeça de veteranos e calouros neste domingo, certamente, a maioria vai aparecer por aqui para saber se foi o campeão, só segunda-feira, depois de chamar o Raul, tomar o Estomasil e tentar dormir uma noite nebulosa de sono.

Eu não preciso dizer que foi difícil (pra não dizer chato) ler esses textos mal-acabados de calouros metidos, que ainda guardam dispensáveis técnicas do “manual de redação do pré-vestibular”. Nós não somos da banca de redação da UFES amigo, isso não lhe pertence mais. Vamos virar a página, vamos botar no sol nossa criatividade.

Até que uns quase chegaram lá. Cercaram, cercaram, mas erram o chute bem na cara do gol. Como diria nosso presidente moderninho, faltou um pouco pra chegar no “ponto G”. Mas eu preciso dizer outras coisas.

1. Eu queria saber quem disse para vocês que arte não existe. O pior é que [muitos de] vocês acreditaram.

2.Comparar a pergunta “o que é arte”, a “quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha” é um insulto.

3. Parafraseando ninguém menos que o ilustre Ministro da Cultura, Gilberto (O Gil): “QUEM DISSE QUE TROPICALISMO É ARTE?”

4. Copiar a resposta de dicionário, enciclopédia, Wikipedia, Deswikipedia, Conservapedia e afins, é brincadeira. Já tem tanta matéria assim para estudar que faltou tempo? Ou foi preguiça mesmo?

5. E outra. Quem disse que “o que é arte” é o nome do livro escrito por Jorge Coli que o professor Alexandre Curtiss pediu para ler, só pode ser um calouro burro posando de engraçadinho. Vá insultar a inteligência de uma porta, querido.


Okay, eu estava tentando protelar este momento, mas vamos lá. Fiquei entre três textos, de oito que se salvaram do crivo de Bunella França e um que ela não pôde ler. Para dar o devido crédito, estes são os três finalistas e os comentários muito pertinentes da nossa comentarista de política:

3º - Ellen Albano Campanharo (Jornalismo)
“Isso está certo”.

2º - Bruno Salim Alcantara Fonseca (Publicidade)
“Pra mim também”.

1º - Denise Targueta Ferreira (Publicidade)
Este ela não comentou. Mas eu comento.

“Uma pena ser de publicidade. Cadê a futura nata do jornalismo mundial? Estão perdendo o tempo lendo os manuais da Folha? Parabéns Denise.”

Então, na íntegra, e sem cortes:

“Qualquer coisa criada pelo ser humano com a finalidade de contribuir, de alguma forma, com a humanidade e/ou intrigar e estimular a capacidade do ser humano de refletir sobre determinado assunto pode ser chamada de arte. Literatura, Música, Pintura, escultura, cinema e teatro são alguns tipos de arte. Mas, por que não afirmar que pesquisas científicas e máquinas também são obras de arte? Afinal, ambos exigiram criatividade de seus CRIADORES.

É claro, óbvio e evidente que a Arte não se define com estas poucas palavras, ela vai muito além disso, além de tudo que qualquer um possa explicar.”

Denise Targueta (Publicidade)

Bom, deixemo-nos refletir sobre a frase de Oscar Wilde:

“Definir é limitar”

Por favor calouros, isso é tudo piada. Pouco do que eu digo pode ser levado a sério. Mas se algum calouro babaca sem um pingo espírito esportivo se sentiu ofendido ou lesado por alguma afirmação aqui contida, pode (e deve) reclamar unicamente com Rafael Arcanjo, o editor chefe, responsável por este pagode.

Hoje o dia do leitor foi especial. Semana que vem também pode ser. É só mandar um texto seu para também ser publicado aqui. E-mails devem ser enviados para r.arcanjo@gmail.com.

sábado, 24 de março de 2007

A Venenosa por Simone Azevedo

Acerto de contas
Mais um sábado chegou. É dia de publicar mais uma coluna. Onde terá se escondido a minha Inspiração? Essa danada está brincando comigo. Rebeldia não é algo que eu costume tolerar. Ela sabe disso. Mas parece que não me dá ouvidos. Eu já avisei mil vezes que a colocaria de castigo e a proibiria de sair outra vez. Mas não adiantou. Travessa do que jeito que ela é...
“Travessuras ou gostosuras?” Sabiam, que ela me perguntou isso? Pois é, perguntou na maior cara de pau. Eu, obviamente, escolhi gostosuras. Estava muito a fim de escrever um texto bem gostoso essa semana, mas a minha Inspiração, traiçoeira e inconseqüente, aprontou uma travessura. Ainda ponho essa moleca de castigo. Tenho que deixar de ser tão boazinha, compreensiva e tolerante. Ela me mete em cada enrascada. Hoje mesmo, eu estou aqui, sentada na frente do computador, sem nada em mente para escrever. Ainda dou umas palmadas nessa criaturinha levada que me faz pagar esses micos. O que direi aos meus leitores? Com que cara vou ficar agora? Estou padecendo no paraíso, como diz o ditado. Mas onde estarão os coqueiros e o lago azul que há em todos os paraísos? Não vejo nenhum. Não vejo pessoas, não vejo acontecimentos, não vejo histórias, não vejo nada.
O relógio me mostra que meu tempo está se esgotando. E o tempo para que minha Inspiração chegue também. Ela vai ver só. Ah, se vai. Onde se meteu essa criatura quando eu mais preciso dela? Será que ela me abandonou para sempre? Ela está realmente demorando. Mas não é a primeira vez. Não vou mais me preocupar. Minha cabeça já está doendo. Ela que apareça quando quiser, mas quando aparecer irá se ver comigo. Ai, ai, ela não perde por esperar...
Olha só quem chegou. A danadinha!! Agora acertamos nossas contas. Aguardem meus caros leitores, vou pôr essa moça de castigo e já volto.
Pronto. Agora sim posso escrever a coluna dessa semana. Vamos lá...
No luxo e no lixo
Na rua onde moro há um supermercado. Dentro dele há tanta coisa gostosa. Biscoitos, doces, refrigerantes, bolos, queijos, enfim uma infinidade de guloseimas. O preço não é dos mais em conta, mas todo mês eu e minha mãe vamos até lá fazer umas comprinhas. Ela se preocupa com o essencial: arroz, feijão, carne, verduras e frutas. Eu, prefiro as seções de doces e chocolates.
Vejo muita gente comprando muita coisa. Minha mãe me disse que são pessoas ricas que podem gastar bastante dinheiro. Nós não somos ricas e não podemos comprar muita coisa. Mas compramos o suficiente para viver e até um pouco a mais para satisfazer a gula. Mas, de qualquer forma, com muito ou pouco dinheiro, fazer compras é muito bom.
Outro dia desses, quando terminávamos mais uma comprinha e íamos de volta para casa, cheias de sacolas, cantando e rindo alegremente, levando todas as coisas gostosas que tínhamos comprado, eu vi uma mulher pegando comida podre no lixo que fica nos fundos do supermercado. Fica nos fundos para que as pessoas que fazem compras não se sintam incomodadas com o mau cheiro e a sujeira. A mulher não se parecia com a minha mãe, mas também era mãe. Ela estava com duas crianças de aproximadamente quatro e dois anos. Estava suja, maltrapilha, fedia como o lixo que ela revirava. Perguntei a minha mãe por que aquela mulher não entrava no supermercado para comprar comida como nós fazemos. Minha mãe pensou, respirou fundo, e me respondeu. Depois do que minha mãe me respondeu, eu nunca mais enxerguei os nossos alegres momentos de compras como antes...
Moda: servidão do inútil, adoração ao descartável
Estar fashion, antenado, fazer parte do beautiful people é o desejo da sociedade pós-industrial. Objetos que produzem agitação frenética no seu entorno, envolvendo modelos, estilistas, artistas e jornalistas em uma infinidade de acontecimentos dos quais estão excluídos os comuns dos mortais. Design, marketing, shows e desfiles promocionais, colunas sociais, revistas especializadas, restaurantes e casas noturnas : este é o universo aparente da moda. Um mundo de flash, brilho, glamour e frisson.

Esse universo aparente não revela a verdadeira essência da moda. Ao contrário do que a imprensa transmite como um “tema” da seção de comportamento e um capítulo da sociedade do espetáculo, a moda é nada menos que uma máquina de inclusão/ exclusão com vínculos fortemente simbólicos e fracamente utilitários. Todo o glamour e o frisson que essa poderosa indústria vende forma o ambiente de afirmação do seu poder social em proporções sempre maiores do que o valor agregado às matérias-primas em insalubres oficinas no Bom Retiro ou em miseráveis comunas chinesas.

A ideologia burguesa intrinsecamente presente na imprensa ocidental contribui para o crescimento e fortificação dos milhares de tentáculos da indústria da moda. Como um gigantesco polvo, ela envolve e imobiliza suas presas deixando-as sob seu controle. Esse controle produz perversidade que vai das formas mais arcaicas de remuneração do trabalho (salário por peças, por exemplo, tão usual nos primórdios da revolução industrial e que permanece na cadeia da moda) à submissão do consumidor a essa modalidade de indexação de grupos sociais numa sociedade onde a individualidade há muito deixou de ser a dimensão subjetiva do sujeito.

Os modelos, que se assemelham a um exército anônimo de seres sem identidade -quase coisas, ditam o padrão ilusório de beleza. Não só uma questão de alienação, essa ditadura se tornou uma questão de saúde pública. Transtornos alimentares são cada vez mais comuns em homens e mulheres que perseguem um corpo perfeito e inalcançável tão valorizado pela mídia, pelos estilistas, pelo merchandising.

Um ciclone enfurecido que engole tudo e todos, fenômeno de proporções globais, a indústria da moda, a nova máquina mercante, entra em cena como um poder indestrutível. Por se fazer desejada sob uma máscara de necessária, ela absorve os corações e mentes da sociedade pós-industrial. Quem será capaz de manter-se ileso dessa enxurrada de inutilidades e não ser afetado pelo entorpecimento desse ópio pós-moderno que transverte o lixo em luxo?

quinta-feira, 22 de março de 2007

*¨Dica da Patty Literária¨*

"Morta de amor por ele, seria um anjo, que o chamava para o céu. Viva nos braços de outro, é serpente que o arrasta pro inferno(...)"

Diga-me se isso é ou não profundo???
Nossa, achei demais!
Está num livro de Bernardo Guimarães, chamado "O Seminarista".
Apesar daquela linguagem meio pesada e até mesmo cansativa, vale a pena conferir. É uma história de amor fascinante. E não venha fazer induções sobre como esse coraçãozinho patty está para dar a dica de um romance.
Isso é SÓ uma dica.
E é uma dica tãããããão, nhum...ah, deixa pra lá.

Me encantei pelos personagens Eugênio e Margarida - tudo bem, não gostei muito desses nomes, confesso - que desde a infância nutrem uma amizade fiel. Como é um livro que se passa há muitos e muitos anos, Eugênio é obrigado a seguir aquela tradição familiar que rege que o primeiro filho homem deve ser padre. E então ele vai para o seminário, mas não contra sua vontade. Ele realmente queria virar padre. Mas após anos estudando no seminário, o rapaz volta para passar alguns dias em casa e se depara com uma jovem linda e atraente. De fato, Margarida tinha virado um mulherão!!! E aí, bom, acho que vocês podem me poupar de contar alguns detalhes. Mas a situação é que agora, movido por uma paixão incondicional, Eugênio decide apenas terminar seus estudos no seminário e voltar para ficar com Margarida - nossa, ela estava mesmo poderosa. Sim, este é o combinado. Ou melhor, era até sua família lhe avisar que Margarida casou-se. E então...ah, gente, não posso contar tudo, né?!

Quando acabei de ler o livro perguntei a minha mãe onde eu encontrava "Eugênios" para comprar - e que eu tenha a sorte de ter várias alternativas de nome disponíveis no mercado, quer dizer, algo um pouco mais comum, do tipo Rodrigo ou mesmo Leandro.
Mas é claro que eu gostaria que a minha história desse um pouquinho mais certo, porque a parte de histórias de amor que não acabam exatamente como eu queria, acredite, eu já tenho. Isso é fato na vida dessa patty de unhas roídas - pra vocês verem a situação lastimável em que me encontro - por obter relacionamentos sem perspectiva de durar mais de uma semana. Enfim, não é que eu queira um cara que está no seminário e eu dispenso totalmente a parte da possibilidade de ele pensar em mim como uma serpente que o arrasta para o inferno, mas não acharia nada mau um garoto que tivesse uma paixão condicional por mim de largar o seminário! Tudo bem, se ele largasse o futebol já tava bom.
Se bem que, na atual situação, acho mais fácil largar o seminário, né?!

Beijinhos da Patty Literária.

domingo, 18 de março de 2007

Ave Franklin! Por BruneLLa França

O texto desta semana se propõe a uma reflexão sobre o modus vivendi dessa sociedade dita globalizada, neste início de século XXI.


O sentido da vida é aumentar o padrão de consumo

Shopping centers, objetos de marca, satisfação pessoal. O hiperconsumismo é a característica marcante do século XXI. Visto que em nossa sociedade a forma predominante de poder é o capitalismo, independente da classe social, sente-se necessidade de consumir como forma de afirmação social e garantia de auto-estima. Os países são vistos apenas como mercados consumidores e o nosso poder de compra garante a posição que ocupamos em sociedade.

Devemos analisar, portanto, que, desde o fim da bipolaridade global, vivemos a mais recente fase do processo de globalização. E, assim, assistimos a um processo de integração econômica sob a égide do neoliberalismo no qual predominam os interesses financeiros, os interesses dos agentes financeiros, a desregulamentação dos mercados, a privatização de empresas estatais e, infelizmente, o descaso ao bem-estar social. Nesse panorama, podemos afirmar que o Mercado está acima da autonomia dos países, haja vista o mesmo influenciar na governabilidade de muitas nações, exercendo também uma dominação cultural e de informações.

Além disso, o neoimperialismo vigente impulsiona a busca voraz por novos mercados consumidores. Dessa forma, para atender às exigências do deus Mercado, empresas se vêem obrigadas a cortar custos, objetivando obter preços menores, maior qualidade e produção. Isso pressupõe investimento em tecnologia e profissionais altamente capacitados. Num país como o Brasil, assolado de problemas estruturais em saúde, educação e pesquisa, parece utopia falar nesse profissional do milênio.

Essa situação contribui para o aumento da violência. Como o desempregado perde seu poder de compra ou passa a ser um consumidor indesejado, pode tornar-se capaz de fazer tudo para conseguir os bens materiais desejados. Mata-se por um tênis de marca. A vida pouco vale.

Ademais, é importante destacar ainda que numa sociedade na qual se consome por desejo, não por necessidade, existe uma crise de valores humanos muito séria. Afinal, o consumismo transfere a satisfação pessoal para os objetos, desviando-a das pessoas. Desse modo, corremos o risco de reificar a grandeza humana e assistir à transformação de seres humanos em “peças” obsoletas no mundo dito globalizado.

quinta-feira, 15 de março de 2007

Quero Ser Miriam Leitão, por Sylvia Ruth

O Combustível do Futuro


Ou Uma Nova Chance Para a Cana


Como são as coisas que acontecem no mundo que fazem este blog funcionar, e como eu não posso fugir dos assuntos em voga. Fazer o quê? Vamos falar sobre Álcool [combustível] [de automóveis].

Se o Senhor da Guerra, George W. Bush, veio ao Brasil porque não quer que Lula se aproxime mais de Hugo Chavés e seus discursos antiEUA, ou se veio mesmo para dizer que o Álcool brasileiro é o que há para eles, não é o mérito deste post. Aqui, nós vamos falar de álcool [combustível] [de automóveis].

Ainda lembro, há uns anos atrás, quando carro a álcool era coisa de carro velho, de duas (quase três) décadas antes, quando o conhecidíssimo Proálcool salvou o país. Era a crise do petróleo, que começara em 1973, e em 1975, alcançara uma táboa de salvação.

O barato, plantável e menos poluente, álcool, surgia como uma alternativa ao caro, finito e muito poluente, petróleo. Finalmente um concorrente forte, quase imbatível – exceto quanto ao desempenho e a influência de grandes exportadoras de gasolina, lá de fora. E então, por uma das diversas burrices memoráveis de percurso, a pesquisa e investimento no álcool combustível ficou fora da pauta de vários governos subseqüentes a 75, as indústrias pararam de fabricar carros a álcool e as usinas fecharam lentamente.

Até que em 2003, o programa voltou repaginado, aliado ao providencial carro bi-combustível, ao Bio-diesel e ao novíssimo H-Bio. E especialmente no início deste ano, o alarme que já soava há muitos anos e que finalmente deixou de ser ignorado, do aquecimento global e da necessidade de freá-lo, fez nosso etanol ecoar pelo mundo como a bendita solução para acabar com o uso do vil petróleo.

O sucesso do álcool brasileiro parece já ter colocado a cana-de-açúcar numa nova posição dentro do hall dos produtos brasileiros que deram verdadeiros upgrades na economia tupiniquim, que conta ainda com o pau-brasil, o café e a borracha. Mas o melhor é que agora, não é mais a exportação de um produto primário, a cana-de-açúcar, que pode fazer as exportações brasileiras pipocarem nas alturas, é a tecnologia empregada nela que faz a diferença. Não é sobre matéria-prima que estamos falando, é sobre etanol, e não só o produto finalizado (combustível), mas também a tecnologia empregada que há de ser vendida aos quatro cantos do planetinha. E capital intelectual é aquela coisa amigo: não tem preço – e quando tem, é bem salgado.

A indústria do álcool no país ainda precisa melhorar muito. Ampliar a produção e a produtividade sem prejudicar o meio ambiente e sem invadir as áreas de plantio de alimentos, dar condições decentes de trabalho (salário, transporte, alimentação e segurança) aos cortadores de cana (não mais bóias-frias), facilitar o transporte e aumentar cada vez mais a pesquisa para aprimoramento da extração da cana são necessidades bem básicas para a consolidação do retorno no etanol ao topo dos combustíveis no país, e seguramente, no mundo.

Mas por favor, vamos fincar os pés no chão. No Brasil, ainda não há produção de cana nem usina suficiente para exportar etanol para o mundo todo, ainda é preciso crescer muito mais. Até 2010, estima-se que a terra do samba e do futebol (e agora do etanol) deva ter uma demanda adicional de 10 bilhões de litros de álcool. A produção desta safra deve ser de 17 bi litros de álcool e 26 milhões de toneladas de açúcar. Como chegar até aí? Será necessário expandir os canaviais em pelo menos 2,5 milhões de hectares nos próximos três anos.

*Mil perdões (mais uma vez) pelo adiantado da hora.

segunda-feira, 12 de março de 2007

Ave Franklin! Por BruneLLa França

Estou vendo o plano do governo federal de acabar com a Bacia do Rio São Francisco não acabou... O projeto é, no mínimo absurdo. Mas, como ficar na história sem uma obra faraônica???
O texto dessa semana visa a discutir esse assunto. Opiniões diferentes são sempre bem vindas!

Água para o Nordeste

A transposição do rio São Francisco é um projeto desenvolvido pelo Governo Federal para levar água do Velho Chico ao interior nordestino, a norte e a leste, amenizando os problemas de falta de água na região. Essa questão é polêmica. Debates, artigos contrários e a favor da transposição aparecem freqüentemente em jornais e noticiários. De um lado, geógrafos e ambientalistas defendem que o projeto está fadado ao fracasso. De outro, técnicos do governo que avaliaram a região dão como certo o sucesso da obra.

É preciso, então, que os impactos ambientais sejam analisados junto aos pontos positivos que a transposição pode trazer: benefício a milhões de pessoas com o aumento da oferta de água e redução do êxodo rural através da geração de emprego e renda. Em contrapartida, ver-se-á a redução no potencial hidroelétrico e o desmatamento para execução das obras com perda de áreas de vegetação nativa. Além disso, em épocas de seca prolongada, prevê-se a redução na produção de alimentos e na disponibilidade de água para irrigação, consumo humano e geração de energia, podendo provocar um colapso energético no Nordeste.

Sendo assim, propõe-se que a transposição para a vertente norte seja feita com águas do Tocantins-Araguaia ou da Lagoa do Jalapão. Afinal, a região a ser banhada pelos rios/lagoa é em declive, o que facilita o transporte dos recursos hídricos, e é mais próxima dos rios e da lagoa do Norte. Logo, essa se apresenta como a melhor solução para o São Francisco e para os nordestinos que precisam de água.

sábado, 10 de março de 2007

A Venenosa por Simone Azevedo

O que rola no baile funk
“Sou cachorra, sou gatinha, não adianta se esquivar. Vou soltar a minha fera, eu boto o bicho pra pegar”. Essa é a letra que embala a batida alucinada na noite das cachorras, das gatinhas, das purpurinadas, das poposudas e das preparadas. Calça justa, mini-saia insinuante, sorriso arregalado e rebolado provocante é a mais nova onda que agita a galera na madrugada dos fins de semana.
Vestir uma calça que dá o maior trabalho pra tirar de tão justa, e descer até o chão ao som de “desde, desce, desce glamurosa, sobe, sobe, sobe glamurosa”, não é o programa favorito da colunista que vos escreve. Mas, por amor ao jornalismo, eu fiz esse sacrifício, a fim de revelar aqui tudo o que rola no baile funk.
O funk tem origens na periferia. O programinha chato e mal produzido da Rede Globo, apresentado por Regina Case, Central da Periferia, tentou mostrar um pouco dessa cultura pop. Mas, não é só na periferia que essa “filosofia de vida” está “bombando geral”. A cada dia, esse estilo despojado e liberal invade as “áreas nobres” das cidades. E as mais variadas classes sociais estão entrando com tudo na dança, ou melhor, no “pancadão”.
A polêmica que gira em torno dos bailes funks consiste na desvalorização da figura feminina e na liberação sexual expressas nas letras das músicas. A mulher é tratada e retratada como um mero objeto sexual. E esse estereótipo da mulher-objeto é reforçado pelas roupas excessivamente provocantes que mais parecem propagandear um produto à venda. O comportamento das mulheres que aderem e esse estilo, também contribui muito para isso. Mas elas, as mais prejudicadas com tal associação, não estão tão indignadas assim.
Conversei com algumas meninas no baile. Elas dizem freqüentar o baile semanalmente e se consideram funkeiras natas. Perguntei sobre o significados desses “apelidos” que designam as “espécies” de funkeiras: cachorras são garotas que topam tudo, libera geral, “pegam” geral no baile; gatinhas são as mais difíceis, mais meigas; purpurinadas são as garotas que vão ao baile excessivamente maquiadas e produzidas, são as “patricinhas” do funk; preparadas são as que sempre estão prontas para o sexo casual, com disposição e preservativo sempre à mão; e poposudas são as que possuem uma região glútea avantajada.
Em nenhum momento elas disseram se sentir desvalorizadas ou vista como mulher-objeto, mas disseram se considerar objeto de desejo. E gostam dessa associação. Michele, de 18 anos, estudante de história, disse se sentir desejada e apreciada pelos homens, mas não como um objeto sexual. Todas foram unânimes em dizer que o importante é a diversão.
Não posso e nem quero negar que a batida é contagiante e não foi tão sacrificante descer até o chão, mas podem me chamar de careta, conservadora, reacionária, tia, o que for, o fato é que há uma grande desvalorização da mulher e banalização do sexo nos bailes funks e nas letras das músicas. E nem é preciso apontar as conseqüências desse comportamento, pois todo mundo sabe o que acontece depois de nove meses se a camisa-de-vênus for para o espaço. Sem falar das DSTs.
O funk tem uma batida divertida e é muito bom descer até o chão, mas ouvir aquelas letras obscenas não é agradável, sobretudo por desvalorizar a mulher. E eu, como mulher, não me sinto à vontade com isso. Por isso, não recrimino o estilo, mas sim algumas letras que infelizmente são a maioria.
Dá próxima vez que eu for a um baile funk levarei meu CD com a música “Quem disse que Tropicalismo é arte”. Essa sim, vale a pena ouvir, alem de descer até o chão, é claro.

quarta-feira, 7 de março de 2007

Quero Ser Miriam Leitão, por Sylvia Ruth

Hey dude


Estão prontos para a vinda do Bush? As paredes de São Paulo sim.
Gente, eu ainda não assisti a nenhum capítulo de “Paraíso Tropical”? Não dá nem para comentar o que andam dizendo por aí.

Este comentário aqui é da Folha de São Paulo. E este é do Observatório da Imprensa. Divergências sempre existem.


Hoje é dia de Copom
Nesta quarta tem reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central, e mesmo depois da semana “turbulenta” passada, que ainda anda ecoando por estes dias, nada deve atrapalhar a lenta e progressiva queda de 0,25% na Selic. Se esta aposta vingar (e deve mesmo), a taxa básica de juros recuará dos atuais 13% para 12,75%, ainda apontando a possibilidade dela continuar caindo enquanto o governo mantiver as contas da maneira como estão hoje.

E como o valor da redução já está quase certo, os economistas estão mais interessados em ler a ata da reunião (que sai quinta-feira da semana que vem), do que ouvir o que já é esperado. Isso porque é na ata da reunião que a gente fica sabendo como o pessoal do BC anda vendo toda essa confusão que a China arrumou nos últimos oito dias, e se a projeção de queda da Selic não vai ser afetada. A gente espera que não.

Vamos fazer assim: quando sair a ata, eu posto alguma coisa na nossa comunidade no Orkut. O quê? Você ainda não está na nossa comunidade? Faz favor! O que? Você não tem Orkut? Não falo mais com você.


E ainda
Semana passada eu falei que a China espirrou e todo mundo tremeu na base. E aí, já tem uma semana que rolou a coisa toda e parece que está demorando demais para os negócios voltarem ao normal. E aí você, caro leitor inteligente, pode vir me dizer que eu estava errada.

Vamos dizer que está realmente acontecendo alguma coisa irreversível, que está próxima mais uma das crises cíclicas do capitalismo que, um dia, o levarão à crise final, quando este sistema sucumbirá e levará consigo toda esta forma de vida globalizada e superficial. Okay amigo revolucionário, o que presenciamos é sim um sinal dos tempos.

Teoricamente, todo mundo já sabia que a China não podia continuar crescendo do jeito que estava nos últimos anos, uma hora, ela tinha que dar uma desacelerada na subida. E dar uma desacelerada na subida é coisa séria, perigosa, que atrapalha o tráfego todo. E para piorar, a terra do ilustre visitante George W. Bush decidiu dizer que também pode entrar em recessão até o final do ano.

O problema é que o que vimos ao longo desta semana foi a materialização do que só existia no imaginário e nas teorias sobre “o que acontecerá se a China fundir” aliado com “o que acontecerá se os EUA fundir”. E, logicamente, isso assustou. Mas eu continuo dizendo que a terra de Mao Tsé-tung só espirrou, quem pegou a gripe foi o resto do mundo.


Bons números II
Continua a divulgação de bons números para a economia brasileira. Desta vez as boas novas vêm do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), que divulgou hoje projeções que prevêem melhorias nos quatro principais indicadores macro-econômicos do país: PIB, inflação, superávit comercial e juros.

O PIB, que devia crescer de 2,9% em 2006 para 3,6% em 2007 foi revisado, a nova estimativa é de um crescimento 3,7%.

Quanto à inflação, a meta é de uma variação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 3,8%, acima em 0,7 pontos percentuais dos números do ano passado.

De qualquer forma, o cenário anda tranqüilo, e o sucesso do controle inflacionário observado no ano passado, deve provocar efeitos positivos para este ano. O aumento estimado representa apenas uma adequação entre oferta e demanda, que deve estreitar a proximidade entre a produção e o potencial produtivo no ano.

O superávit comercial, como já era de se esperar, não vai crescer mais tão vigorosamente como nos últimos doze meses. As exportações devem atingir os US$ 150,1 bilhões, contra US$ 109,7 bi das importações, resultando num saldo comercial próximo de US$ 40,3 bi.

Já a taxa Selic deve fechar o ano corrente em 11,5%. É bom que os números sejam tão bons a ponto se serem verdadeiramente sentidos, até mesmo pelos que não fazem idéia do que significa PIB, inflação, superávit e juros.


* Olha, só demorei em postar porque o Blogger estava fora do ar.

quinta-feira, 1 de março de 2007

Quero Ser Miriam Leitão, por Sylvia Ruth

Saudações, amigos

Depois de duas semanas desaparecida, cá estou eu novamente, e pra piorar, postando a noite. E logo num momento tão, digamos, interessante. Foi só a China espirrar para todo mundo tremer na base.

O negócio é que se diz que China e Estados Unidos mantém uma relação simbiótica, então, se a terra de Mao Tsé-tung tem qualquer problema, a terra do Tio Sam sofrerá influências imediatas, e como todo os outros países estão inevitavelmente ligados aos EUA, despenca a bolsa de tudo quanto é país.

E por que isso acontece? Primeiro porque o superávit Chinês, assim como o Brasileiro, é investido em títulos do tesouro norte-americano, que tem juros de mais de 5% ao ano, investimento esse considerado o mais seguro e lucrativo do planeta.

Segundo porque a China tem um peso importantíssimo na balança comercial por lá. Em 2006 os EUA exportaram 55 bilhões de dólares e importaram US$ 290 para a China.

Mas os resultados das bolsas hoje, provam que as coisas parecem não ter passado de um alarme falso. Mas é claro, depois da azia que deu a idéia de taxar em 20% as entradas estrangeiras na China, o Ministério das Finanças por lá tinha que dar um jeito de acalmar os ânimos da galera, afinal, a terra das próximas Olimpíadas é peça chave nesta pirâmide de cartas que é a economia mundial, e ela é que não quereria ser a primeira a cair.


Bons números

2,9%, foi bom pra você? Enfim, os números oficiais do governo para o PIB 2006. O resultado esteve além das previsões, mas dois pontos percentuais acima também não são para se comemorar, e Lula também acha.

Para alguns faltou investimento, não só com a injeção direta de dinheiro público, mas também no incentivo ao investimento privado, com uma diminuição da tributação e da burocracia e tal.

Para o Ministro da Fazenda, Guido Mantega, os números são sinceros, e indicam crescimento consistente, aumento da capacidade produtiva, da demanda e do consumo popular, mas para ele, o melhor é que no último trimestre do ano que passou, o país cresceu 1,1%, o que, em quatro trimestres (um ano), representa um crescimento de 4,4%, acima do prometido pelo governo para 2007, de 3,5%. [Tô com preguiça de conferir, mas acho que é 3,5%, ou algo parecido].

E a coisa deve ser por aí mesmo. Se o governo conseguir estruturar o crescimento, sem picos instáveis, a terra do carnaval e do futebol deve voltar a crescer na média mundial, que foi de 5,1% no ano passado, daqui há [respira fundo] cinco – angustiantes – anos. Isso se o pai-de-todas-as-respostas PAC for realmente colocado em prática e se realmente funcionar.


Dólares pra que te quero

Neste mês o governo federal chegou aos invejáveis 100 bilhões de dólares de reserva. Uau! Mas pra quê tanto dinheiro? O Ministro Guido Mantega chama isso de “vacina contra turbulências”, eu chamo de muito dinheiro e pronto. Okey, essa foi péssima.

Acontece assim: o nosso Banco Central compra dólares, porque dólar é que é Dinheiro Bom, e aplica nos "treasuries" (títulos do tesouro norte-americanos, já citados hoje). Aí, ele fica credor em dólares, enquanto aqui fica devedor em reais, já que para comprar dólares, o BC precisa emitir títulos da dívida interna. Enquanto os juros do tesouro estadunidense é de 5%, os juros da dívida interna são de 13%. Vale a pena? Pior que sim. Já que, como eu já disse hoje: aplicar em "treasuries" é a forma mais segura do planeta.